segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Despedida da Escola Municipal de Ensino Fundamental Leocádia Felizardo Prestes - Encerrando Um Ciclo

Dia 18.12.2008.. foi meu ultimo dia em contato com as turmas. Então peguei parte do meu salário e comprei alguns doces (pirulitos, balas.) pra distribuir entre as 12 turmas pelas quais passei nesses ultimos dois anos.
Acordei, tomei banho, me perfumei (na escola, as crianças sempre me rodeavam pra sentir o cheiro do meu perfume, olhas a cor do meu esmalte, eu realmente era reconhecida pela minha vaidade e pelo modo de falar a "língua" deles)... e vim rumo ao Telecentro (estágio que ainda sigo por um ano e meio), com uma bolsa pesando mais de 3 kg em doces.. rsrsrs..
Trabalhei aqui normalmente e conforme foi chegando a hora de eu correr para pegar o ônibus pra ir pra Escola... um nó foi se fazendo na minha garganta. Me senti confusa... porque nesses dois anos... não foram só rosas, bem pelo contrário... me cravaram muuuuuuuito mais espinhos do que me ofertaram flores.
Eu já havia preparado os mais ou menos 250 alunos pra esse dia. Quando cheguei na escola, estavam organizando as festinhas de despedida das turmas com suas respectivas professoras nas suas salas de aula. O mais "impressionante" é que nesse dia, não faltou nenhuma das professoras que eu passei o ano todo substituindo. Que irônia.. aí quando os pequenos se enchem de razão e falam que sua professora só aparece nas festinhas, ainda são repreendidos.
Pois bem.. quando notei que estava tudo em ordem e confraternizando, comecei a passar de sala em sala entregando os doces e me despedindo dos meus monstrinhos e das Profs. Por cada sala que eu passava, deixava não somente doces, mas muitas lágrimas... os pequenos me abraçando e me pedindo pra ficar.. Deus, doeu!! Eu me continha pra não chorar com eles... saía das salas de aula, chorava, secava as lágrimas e seguia em frente.
Depois fui pra sala de uma das melhores pessoas que conheci naquela escola, fui convidada por todas pra permanecer nas festinhas, mas por maior afinidade e companheirismo decidi permanecer na sala da Cris, (juntamente com a Paty e a Lu...) com ela nunca havia tempo ruim, estava sempre disposta a me socorrer quando eu não mais sabia o que transmitir aos alunos, já que eu não planejava aula pra primeira série. A Cris.. uma mulher branca, séria, com o cabelo vermelhão, magrinha... mas com um ar sério, austero, que só saia do seu rosto quando eu falava ou fazia alguma palhaçada.
Num segundo momento, todas as turmas foram chamadas para o pátio.. onde na área coberta assistiriam as apresentaçãos dos colegas e a chegada do Papai Noel que todos os anos por intermédio da escola, dá aos alunos uma lembrancinha, já que as familias na sua maior parte são acometidas pela miséria, drogas e prostituição.
Enfim... foi contratado um carrinho de algodão doce, que serviu todos os alunos. Que sorriam... isso nunca vai sair da minha mente. Enquanto a maioria das pessoas reclama da vida.. a felicidade deles se resume a ganhar um mísero algodão doce..
Os alunos que se apresentaram, dedicaram a mim... e cada vez o nó da garganta crescendo. Fui homenageada pelas professoras, como a estagiária que mais abraçou a causa e não se encolheu perante as dificuldades. Acho que nesse dia recebi bem mais que mil beijos, recebi também presentinhos, carinho.
Eu consegui...marquei a vida de alguns ali.. e não foi só como a professora chata, que ficava cobrando coisas deles. Alguns conseguiram o número do meu celular e ficam me ligando, me perguntando quando eu volto. Sinal de que marquei a vida de muitos também, como a irmã mais velha, a mãe, a psicóloga, a amiga.

Então não me importo de cada bate boca que tive com algum professora frustrada, mal amada e mal comida ou com alguma mãe maloqueira que achou q poderia colocar o dedo no meu nariz e sair com a mãozinha intacta (6)... eu fiz a minha parte e muito bem feita!!! A unica opinião que me importa é a dos meus monstrinhos ranhentos que sentem a minha falta. A frase que nuuuuuuuuuuuunca irei deixar de lembrar é de um dos meninos que eu mais cobrei empenho, esforço e chamava a mãe pra aconselhá-la... eu puxei o Pedro.. não deixei ele bobear e ficar pra trás: "Professora Renata, eu nunca vou 'se' esquecer de ti, muito obrigada!!!" (juro que senti muita vontade de corrigir a fala dele, mas me contive porque a frase e as lágrimas dele foram sinceras, não estraguei o momento dele - rsrsrsr - até parece que não chorei quando ele me falou isso!!!).

Eu também... nunca irei me esquecer... dos piolhos que peguei ano passado, da pneumonia por pegar chuva nos alagamentos da vila onde a escola se localiza e depois ir pra faculdade, dos machucados que tive que estancar, dos narizes escorrendo... mas não me arrependo, ali naquela escola eu descobri o tipo de profissional que pretendo ser: Sônia, Márcia, Cris, Paty, Lê, Lu, Alice... muito obrigada por todo apoio!!!

Vou sentir saudade!!!

Nenhum comentário: